Capítulo 1 - O início da caçada
18/08/2010 01:48
Era fim de tarde. No horizonte o sol já baixava, lançando suavemente seus últimos raios, avermelhando tudo à sua volta. O cenário era perfeito. A iluminação do entardecer dava um clima romântico.
No céu, alguns pássaros sobrevoavam em bandos indo em direção ao norte. Além disso, uma brisa suave afagava-lhe o rosto.
Mas ela não percebeu nada disso. Estava com seu comunicador na mão: havia chegado uma mensagem. A arma 1035 havia sido capturada na área 37. Ela devia resgatá-la e eliminar todos os envolvidos para que o segredo da Cruz de Ferro continuasse bem guardado.
Repassou mentalmente o mapa tão bem estudado do local. Em uma velocidade sobre-humana, rumou para o leste ao encontro da área 37. Estava a 300 km, distância que percorrera facilmente em quatro horas.
No caminho, estudou a situação. A área 37 já havia causado muitos problemas à Cruz de Ferro, mas hoje não passava de uma mísera população fortemente vigiada. 1035 era um dos pioneiros da organização. Foi o terceiro a ser integrado à sociedade para trabalho efetivo. Como ele poderia não estar dando conta de um pequeno vilarejo de 500 pessoas? Alguma coisa estava errada. Muito errada. Decidiu, ao se aproximar mais, diminuir seu ritmo e vigiar o lugar.
Ao chegar teve uma visão deplorável do que havia restado de um bairro nobre West 53rd Street Sucatas e entulhos para todos os lados. Sujeira espalhada e esgoto correndo a céu aberto. Mas isso ela também não notou. A única coisa que chamou sua atenção foi o galpão ao final da terceira rua.
Graças aos genes implantados em seu organismo, podia enxergar através de objetos sólidos. E foi lá que avistou 1035. O espécime masculino estava acorrentado pelos braços, suspensos no ar separadamente, e pelas duas pernas juntas. Poderia destruir as amarras facilmente com um só golpe, sem esforço e, muito provavelmente, ele também.
Focalizou seu rosto. Estava velho. Mais do que o normal para uma arma. Os Bios (como eram chamados pela Cruz de Ferro) não envelheciam na mesma velocidade que os humanos comuns. No entanto, com apenas 30 aos, 1035 apresentava algumas marcas de expressão e rareados fios de cabelo branco. “Tecnologia antiga”, pensou.
Expandiu seu olhar pelo pavilhão. Sete sentinelas ridiculamente armados com pedaços de madeira. Definitivamente havia algo de errado. Ele já poderia ter saído dali. Não pensou mais. Decidiu conferir pessoalmente as surpresas que a aguardavam.
Com três saltos longos, atingiu o telhado do galpão. Aterrisou em um baque surdo, ouvido apenas por 1035 que olhou discretamente para cima. Ele sabia: a hora havia chegado. Meneou a cabeça. Depois de tantos anos... Suspirou fundo e aguardou o inevitável.
Veio como uma flecha. Saltando sobre a primeira sentinela, 3278 matou-o rapidamente deslocando seu pescoço. Quando o corpo caiu inerte no chão, chamou a atenção dos outros seis. Um deles correu para disparar o alarme.
Sem fazer qualquer movimento brusco, 3278 sacou seu punhal e lançou em direção à garganta do segundo guarda. Fria como gelo, andou até sua vítima pra recuperar sua arma e deixou o sentinela ali para sangrar até a morte. Encarou os próximos e o que viu em seus olhos foi terror. Eles sabiam que iriam morrer.
Numa tentativa desesperada de fuga, começaram a correr até a saída do galpão. 3278 apenas girou sob uma das pernas, apoiou a mão direita no chão e deu um salto com um giro no ar, aterrissando com a graciosidade de um felino entre eles e a salvação.
Foi rápida. Com a lâmina embutida no salto de sua bota, deu um chute no coração de um dos guardas, cravando-a fundo. Quando a retirou, ele já estava morto. Os dois próximos matou de uma vez só. Com sua força esmagou a cabeça de um contra a do outro até seus cérebros explodirem dentro dos crânios.
O único sobrevivente ajoelhou-se implorando uma misericórdia que não viria. Aproveitando-se da posição, 3278 puxou a cabeça dele para traz pelos cabelos e cortou a garganta com seu punhal.
Levantou-se e olhou em volta. Ainda faltava um: o que foi dar o alarme ao resto dos moradores. Mas antes de cuidar dele, aproximou-se do 1035.
3278: Vim resgatá-lo e limpar a sujeira.
1035: Poupe essas pessoas. São inocentes. Estão apenas defendendo suas casas.
3278: Você está traindo a Cruz de Ferro?
1035: Não é isso! Convivi bastante tempo com eles e aprendi a entender suas emoções.
3278: Você tem razão. Você conviveu tempo demais com eles – E com a palma da mão direita, acertou um golpe no peito do homem a sua frente que fez o coração parar de bombear sangue pelo corpo de 1035. Em segundos, restava apenas um cadáver inerte a sua frente.
3278: Velho, você se tornou humano demais – esquecendo-se que ela mesma era uma humana.
Seguiu em busca do último guarda. Ele já havia dado o sinal e agora estava escondido. Com seu olfato apurado, achou-o facilmente embaixo de uma mesa.
3278: Ratos se escondem em baixo de mesas.
Soldado: Misericórdia!
3278: Q
3278: Quem dá misericórdia é Deus.
Com um movimento quase imperceptível, retirou das mãos trêmulas a estaca de madeira e enfiou-a fundo, do abdômen a garganta, matando o último soldado.
Agora tinha que se apressar. Ainda havia, pelo menos, mais 400 pessoas para eliminar.
Horas depois, com a noite já avançada, quase clareando o dia, entrou em uma das últimas casas. Na sala, uma menina brincava sozinha de boneca, alheia ao mundo a sua volta. Ao notar a presença de 3278 virou-se para ela e sorriu.
Menina: Tia! Como você é bonita! Quer brincar comigo? Minha mãe disse que vinha p/ casa depois do trabalho p/ brincar de casinha comigo, mas não voltou até agora...
A arma mortal da Cruz de Ferro olhou para a criança a sua frente e analisou sua aparência. Reconheceu seus traços. Sabia que sua mãe não voltaria para brincar com ela: havia matado-a a menos de três horas junto com um grupo que encurralara num beco.
Naquele momento, 3278 sentiu um incômodo que não soube descrever. Alguma coisa a paralisou diante daquele sorriso de alegria e esperança, coisas que ela não conhecia, e daqueles olhos brilhantes. Ela só tomou uma atitude: correr.
Correu para longe até que encontrou um abrigo e parou. Perguntava a si mesma a toda hora porque não conseguiu eliminar um alvo tão fácil e indefeso. Além disso, a todo o momento, as palavras de 1035 viam-lhe a cabeça.
Pela primeira vez, 3278 estava confusa.
Longe dali um carro se aproxima do local do incidente. Dentro desse veiculo encontravam-se três pessoas. O primeiro é um homem com uma idade aproximada de 25 anos, alta estatura, expressão séria, cabelos curtos cortado em estilo social, de cor preta com alguns fios brancos (que dão um charme a mais). Sua pele é branca parecendo que não tem contato com o sol. Ombros largos, corpo muito bem trabalhado e algumas cicatrizes e uma tatuagem no corpo de duas chaves juntas em formato de X dentro de uma circunferência matemático tendo micro números em volta expressando do ponto da figura, isso localizado no peito esquerdo. Está usando calça preta, botas militar, uma camisa branca e um sobretudo azul com um emblema de uma pena de corvo de cor vermelha.
A segunda é uma mulher de cabelos loiros, pele morena, baixa estatura, com uma idade aparente de 19 anos, corpo magro, com curvas discretas, porém bem tentadoras dando a impressão que ela é modelo. Expressão facial meio infantil. Está usando um short apertado preto tênis, camisa preta e um sobre tudo igual ao do homem.
A outra é uma japonesa de cabelos curtos e pretos, pele branca, corpo bem ocidental tendo quadris e seios fartos. Média estatura, expressão preguiçosa. Ela usa uma calça branca apertada, botas pequenas e uma camisa que não da pra ver: o sobretudo está meio fechado deixando assim um decote.
Mulher loira: Miguel, falta muito para a gente chegar?
Miguel: Falta pouco. Fique calma, Catarina.
Mulher japonesa: o que a gente vai buscar mesmo? – disse com a maior preguiça.
Miguel: Vamos buscar uma antiga arma viva que foi capturada pela população local. Nossa missão é transportar para a nossa organização e ter segredos da Cruz de Ferro. Entendeu Mizuki?
Mizuki: Entendi.
Catarina: Você devia dormir menos nas reuniões.
Mizuki: Mas elas são chatas.
Catarina: Isso que da por passar as noites com o Miguel.
O rapaz fica vermelho.
Mizuki: Ei! Só foi algumas vezes, isso já tem tempo.
Catarina: Sei – sorrindo maliciosamente.
Mizuki: Foi um dos raros momentos que não senti sono.
O carro fica por uns instantes desgovernado, mas logo retorna o seu percurso. O motorista está extremamente vermelho.
Miguel: Vocês duas, será que dar para ficarem quietas? – meio que alterado.
Catarina: Que lindinho. Miguelzinho está envergonhado – aperta a bochecha do motorista.
Miguel: Chegamos.
Catarina: Até que enfim...
Miguel: Parece que a situação não é nada boa – saindo do carro.
Catarina: O que foi?
Miguel: A Cruz de Ferro passou aqui – olhando para os corpos mortos.
Catarina: Nossa! Esses caras pegam pesado – olhando para os cadáveres horrorizada.
Mizuki: Parece que foi trabalho de uma pessoa – descendo do carro e olhando em volta – vejo que teve um que pediu misericórdia, mas não foi atendido...
Miguel: Droga – olhando par um ser acorrentado aparentemente morto – a Cruz de Ferro passou por aqui – colocando sua mão no peitoral do cadáver – parece que um simples golpe fez o coração a parar, isso não aconteceu mais de 15 minutos – sorrindo – bem posso usar meu toque mágico – usando um dom que somente ele tem o coração.
1035: Onde eu estou?
Miguel: Está de volta à vida.
1035: Como isso é possível?
Miguel: Simples. Aquele que fez isso em você apenas interrompeu os batimentos do coração. Parece que o ser é muito inexperiente em matar, já que o corpo pode ficar um tempo sem o coração bombear sangue para o corpo, principalmente quando se é uma arma viva.
1035: E como você conseguiu fazer meu coração volta
1035: E como você conseguiu fazer meu coração voltar a bater?
Miguel: Tenho meus truques. Aliás, considere-se agora um instrumento contra a Cruz de Ferro.
1035: Tudo bem, eles me descartaram. Já não devo nenhuma fidelidade a eles.
Miguel tira as travas que prende a arma viva.
Catarina: Quem fez isso com você?
1035: Foi uma Bio.
Mizuki: Realmente a Cruz de Ferro adora utilizar armas biológicas.
Miguel: qual é o seu nome?
1035: Meu nome de registro é 1035.
Catarina: 1035...? Que isso é código de barra?
1035: Esse é o numero do projeto onde fui desenvolvido.
Catarina: Se incomoda ganhar um nome comum. Assim fica melhor.
1035: De forma alguma.
Catarina: Que tal Lucas?
Lucas: Gostei... – sorri – Lucas... Agora eu tenho um nome!!!
Miguel: O que você tem para falar sobre essa arma.
Lucas: Bom... Ela é uma mulher, de aproximadamente 18 anos. Morena, olhos castanhos. E é... bem... extremamente bonita. Mas o que ela tem de bonita, tem de perigosa. De todos os Bios já inventados e treinados, ela é a mais perfeita. Não possui nenhum traço de emoção. É praticamente um robô assassino.
Catarina: Nossa! Se a Cruz de Ferro decidiu usa-la, então eles planejam uma grande jogada. – Lucas acente com a cabeça.
Miguel: E ela veio aqui atrás de você?
Lucas: Sim. Ela me disse isso. Operação padrão da Cruz de Ferro. Resgatar as armas capturadas e se livrar das testemunhas.
Mizuki: Então... por que você ainda está aqui?
Lucas: Porque eu defendi os moradores dessa aldeia.
Catarina: E por que você vez isso? – Olhando-o visivelmente desconfiada.
Lucas: Vivi tempo demais entre os humanos comuns e aprendi sobre suas emoções. Então entendi a loucura desta guerra desmedida e quantos civis inocentes estavam sofrendo, morrendo – agora com ódio no olhar – e, acima de tudo, percebi que fui usado pela Cruz de Ferro, que eles haviam tirado de mim o meu livre arbítrio. Eu realmente preferia morrer a ter que continuar a viver como uma arma.
Um silêncio cai pesadamente sobre todos. Depois de alguns minutos, Miguel quebra o clima instalado.
Miguel: Há quanto tempo aconteceu o ataque?
Lucas: Não sei, meu corpo estava morto. Quantas horas são?
Miguel: 11:35.
Lucas:: Então... passaram-se mais de 12 horas desde o primeiro guarda assassinado... A esta altura, a Bio já está longe daqui.
Miguel: situação Mizuki.
A japonesa fecha os olhos e fica um tempo em meditação. Depois abre os olhos rápido.
Mizuki: A tal arma está a 7 quarteirões daqui. Tem um certo grupo de homens se aproximando dela. Posso ver que são da Cruz de Ferro.
Lucas: Nossa! Como você sabe disso tudo?
Mizuki: Simples. Sincronizei minha mente com meu notebook, onde rapidamente hackeei o serviço espacial e acessei um satélite.
Lucas fica boquiaberto.
Miguel: Realmente Mizuki tem seus dons.
Catarina: Sei muito bem que tipo de dons que você ta falando – fala de uma maneira maliciosa.
Miguel: Catarina – meio que corando.
De repente ouvem um barulho. Miguel já saca sua Magnus e aponta para a direção do som. Tudo o que se pode encontrar é uma vasta escuridão. Os olhos do rapaz ficam um pouco verdes, revelando sua habilidade de ver no escuro. Quando vê o ser que fez o barulho guarda a arma. É apenas uma criança. Uma menina com uma boneca.
Miguel: Está tudo bem, criança. Não vamos fazer nenhum mal.
A menina se aproxima chorando.
Catarina: O que houve, meu bem? – ajoelha-se e acaricia a face da pequena.
Menina: Encontrei a mamãe. Ela não fala comigo.
Catarina: O que aconteceu com ela, meu bem?
Menina: Minha mãe está deitada. Tem muito liquido vermelho em volta dela.
Catarina a pega no colo: Vai ficar tudo bem.
Menina: Então, isso que é morte?
Todos ficam meio receosos de responder a pergunta, mas enfim alguém toma uma atitude.
Miguel: Sim...
A menina não demonstra muita tristeza, como era de se esperar. Apenas continua meio chorando, mas muito bem controlada.
Menina: Eu achava que ela ainda podia estar viva... Mas eu tava errada... Acho que... já sabia a verdade, só não queria acreditar.
Miguel: Realmente você tem muita fibra para sua idade...
Menina: Já vi pessoas morrendo. Já vi todos os meus irmãos, primos e meu pai morrer.
Catarina: qual é o seu nome?
Menina: Amanda.
Catarina: Você tem alguém com quem ficar, Amanda?
Amanda: Não... – baixando os olhos
Catarina: Então, você quer ir com a gente?
Amanda afirma apenas com um menear da cabeça.
Miguel observa a menina e sente-se espantado com o que vê. O olhar de Amanda refletia frieza, causada pela guerra diária. E, ali, naquele momento, ele vê a si mesmo na idade dela, como se tivesse retornando ao seu passado.
Catarina se aproxima de Mizuki e entrega Amanda em seus braços.
Catarina: Fique com ela. Vou atrás da arma viva – leva as mãos no bolso e pega um tipo de comunicador que se encaixa no ouvido – cuide dela pra mim – enfia no outro bolso e tira duas garras onde coloca
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